Carlos Heitor Cony completaria 100 anos em 14 de março de 2026. Um dos mais reconhecidos crônicas brasileiros, deixou um legado de publicações que valem muito a pena serem lidas e relidas. O Sebo Kapricho aproveita o centenário para relembrar a trajetória e a obra de um escritor que merece estar na sua estante! Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro. Filho de jornalista, estudou Filosofia num seminário no Rio Comprido e chegou perto de se ordenar padre. Não foi para o sacerdócio, mas o pensamento filosófico permaneceu, como fica evidente nos livros que escreveu. A carreira no jornalismo começou cedo, na Rádio Jornal do Brasil, nos anos 1950. Logo depois, ele trabalhou no Correio da Manhã e em seguida na Folha de S. Paulo, onde assinou crônicas diárias por décadas. Com o golpe militar de 1964, foi preso várias vezes. Numa dessas detenções, em 1965, dividiu a cela com Glauber Rocha, Antonio Callado e Thiago de Mello, entre outros. Essa experiência atravessa sua literatura de formas que nem sempre são explícitas. Em 2000, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira que havia pertencido a Herberto Sales. Morreu em janeiro de 2018, no Rio, aos 91 anos. Ao longo da carreira, Cony acumulou prêmios que cobrem diferentes fases e formatos da sua escrita. Ganhou o Prêmio Manuel Antônio de Almeida duas vezes, em 1957 e 1958, com os romances A Verdade de Cada Dia e Tijolo de Segurança. Em 1996, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela ABL pelo conjunto da obra. Nesse mesmo ano, Quase Memória ganhou o Jabuti e foi eleito Livro do Ano pela Câmara Brasileira do Livro. O governo francês o condecorou com a Ordre des Arts et des Lettres em 1998. Quase Memória é o livro mais célebre de Cony. A trama começa com um pacote misterioso enviado por um pai já morto. A partir daí, abre espaço para uma narrativa sobre tempo, memória e afeto que não segue os atalhos previsíveis. O livro ganhou adaptação cinematográfica e continua sendo a porta de entrada mais recomendada para quem ainda não leu nada dele. Mas o próprio Cony considerava Pilatos sua obra mais ousada. Escrito durante a ditadura militar, o romance acompanha um homem que carrega o próprio pênis decepado numa espécie de pote de conserva. O que poderia soar como grotesco é, na verdade, uma metáfora política densa e calculada. Uma crítica ao regime com a linguagem que o prórpio regime não sabia como censurar. Se você quer conhecer um pouco mais de Carlos Heitor Cony, aqui estão nossas sugestões: Quase Memória Um homem recebe um pacote enviado pelo próprio pai já morto. O que está dentro e como chegou até ali são as perguntas que abrem caminho para uma história sobre memória, tempo e a relação difícil entre pais e filhos. Escrito durante a ditadura, acompanha um homem que carrega o pênis decepado consigo numa embalagem de conserva. A estranheza é intencional e revela uma metáfora política e uma crítica corrosiva ao regime que o Brasil vivia. Vencedor do prêmio Jabuti em 2000, é um Cony mais filosófico e, paradoxalmente, um dos mais acessíveis. O protagonista decide parar de falar, e esse silêncio vai revelando tudo o que as palavras costumam esconder. O Presidente que Sabia Javanês Feito em parceria com o cartunista Angeli, reúne crônicas e charges publicadas na Folha de S. Paulo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O título vem de um conto de Lima Barreto: alguém que alegava saber javanês passou a ser recebido nos salões e a opinar sobre tudo, porque ninguém podia desmentir. Quem foi Carlos Heitor Cony
Uma obra premiada
Quase Memória
Quatro livros para começar