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Carlos Heitor Cony: quem foi e quais livros ler no centenário do escritor
Carolina Avansini
20/03/2026 15:32:36

Carlos Heitor Cony completaria 100 anos em 14 de março de 2026. Um dos mais reconhecidos crônicas brasileiros, deixou um legado de publicações que valem muito a pena serem lidas e relidas. O Sebo Kapricho aproveita o centenário para relembrar a trajetória e a obra de um escritor que merece estar na sua estante!

Quem foi Carlos Heitor Cony

Carlos Heitor Cony nasceu no Rio de Janeiro. Filho de jornalista, estudou Filosofia num seminário no Rio Comprido e chegou perto de se ordenar padre. Não foi para o sacerdócio, mas o pensamento filosófico permaneceu, como fica evidente nos livros que escreveu.

A carreira no jornalismo começou cedo, na Rádio Jornal do Brasil, nos anos 1950. Logo depois, ele trabalhou no Correio da Manhã e em seguida na Folha de S. Paulo, onde assinou crônicas diárias por décadas. Com o golpe militar de 1964, foi preso várias vezes. Numa dessas detenções, em 1965, dividiu a cela com Glauber Rocha, Antonio Callado e Thiago de Mello, entre outros. Essa experiência atravessa sua literatura de formas que nem sempre são explícitas.

Em 2000, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira que havia pertencido a Herberto Sales. Morreu em janeiro de 2018, no Rio, aos 91 anos.

Uma obra premiada 

Ao longo da carreira, Cony acumulou prêmios que cobrem diferentes fases e formatos da sua escrita. Ganhou o Prêmio Manuel Antônio de Almeida duas vezes, em 1957 e 1958, com os romances A Verdade de Cada Dia e Tijolo de Segurança. Em 1996, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela ABL pelo conjunto da obra. Nesse mesmo ano, Quase Memória ganhou o Jabuti e foi eleito Livro do Ano pela Câmara Brasileira do Livro. O governo francês o condecorou com a Ordre des Arts et des Lettres em 1998.

Quase Memória 

Quase Memória é o livro mais célebre de Cony. A trama começa com um pacote misterioso enviado por um pai já morto. A partir daí, abre espaço para uma narrativa sobre tempo, memória e afeto que não segue os atalhos previsíveis. O livro ganhou adaptação cinematográfica e continua sendo a porta de entrada mais recomendada para quem ainda não leu nada dele.

Mas o próprio Cony considerava Pilatos sua obra mais ousada. Escrito durante a ditadura militar, o romance acompanha um homem que carrega o próprio pênis decepado numa espécie de pote de conserva. O que poderia soar como grotesco é, na verdade, uma metáfora política densa e calculada. Uma crítica ao regime com a linguagem que o prórpio regime não sabia como censurar.  

Quatro livros para começar

Se você quer conhecer um pouco mais de Carlos Heitor Cony, aqui estão nossas sugestões:

Quase Memória 

Um homem recebe um pacote enviado pelo próprio pai já morto. O que está dentro e como chegou até ali são as perguntas que abrem caminho para uma história sobre memória, tempo e a relação difícil entre pais e filhos. 

Pilatos 

Escrito durante a ditadura, acompanha um homem que carrega o pênis decepado consigo numa embalagem de conserva. A estranheza é intencional  e revela uma metáfora política e uma crítica corrosiva ao regime que o Brasil vivia.  

Romance sem Palavras 

Vencedor do prêmio Jabuti em 2000,  é um Cony mais filosófico e, paradoxalmente, um dos mais acessíveis. O protagonista decide parar de falar, e esse silêncio vai revelando tudo o que as palavras costumam esconder.  

O Presidente que Sabia Javanês

Feito em parceria com o cartunista Angeli, reúne crônicas e charges publicadas na Folha de S. Paulo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O título vem de um conto de Lima Barreto: alguém que alegava saber javanês passou a ser recebido nos salões e a opinar sobre tudo, porque ninguém podia desmentir.  

 

 Divulgação/Companhia das Letras
Créditos: Divulgação/Companhia das Letras
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